Domingo, 20 de Maio de 2007

Entrevista: Petrônio Gontijo!

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01. Como está a repercussão do seu personagem?

Na verdade, quase não saio. Eu vejo a repercussão pelos quiosques da praia aqui em frente, com o pessoal do prédio... Como meu personagem teve um começo dramático, ele perdeu a esposa e precisou cuidar da filha, muita gente se identificou. Essa é a luta do brasileiro que tenta dar dignidade à sua família.

02. O Tom é grosso às vezes e acha as mulheres fúteis e aproveitadoras. E você, o que acha delas?

Maravilhosas. Entendo o Tom porque ele é uma pessoa que teve uma mulher perfeita ao seu lado e queria viver a vida inteira com ela. E ela morre abruptamente, na sua frente. Deve ser muito complicado. O Tom criou uma casca. A dificuldade dele não é com a Verônica, vivida pela Paloma Duarte. É com ele mesmo. Ele tem raiva por gostar dela. As mulheres passaram da fase do feminismo. Elas assumiram que não tem problema ter problemas, ser frágil... Ficar só na defensiva não leva a lugar nenhum.

03. A Paloma Duarte faz seu par romântico na trama, como Verônica. Você já tinha trabalhado com ela? Como é essa dobradinha?

Parece que eu conheço a Paloma desde que eu nasci. Contracenar com ela parece uma viagem de nave, ir de foguete a uma galáxia desconhecida sabendo que vou encontrar a minha turma. É uma delícia trabalhar com ela. Eu mando uma bola e ela volta com dez.

04. Para você, o que importa em uma relação?

Honestidade. O bom humor, alegria, tesão, tudo isso vem de uma relação honesta. Sou de uma família mineira tradicional, sei o que é viver de aparências. A casa pode estar caindo que a cara é como se nada estivesse acontecendo... (risos). Assisti recentemente a peça 'Sweet Charity' e nela eles dizem uma frase brega, mas que é a verdade: ‘a vida sem amor não tem sentido’.

05. O Tom ficou 16 anos de luto pela morte da esposa. Qual foi o seu maior sacrifício por amor?

Foi por mim mesmo (risos). Em desenvolver o exercício diário e trabalhoso de como expressar melhor o sentimento de amor. Buscar, talvez, é melhor do que o resultado. Acordar e olhar esse mal é radical...

06. Você faz casuloterapia, não é? (Terapia Alternativa de Reintegração do Indivíduo) Isso tem relação com essa sua busca?

Sim. De certo momento comecei a achar a vida sem sentido. Vivia só das coisas objectivas, como acordar, trabalhar, dormir... você começa a viver de ansiedades futuras. Para a vida começar a fazer sentido, vi que precisaria mudar a minha postura. Dei um 'break'. Fiz análise por muito tempo, me consultei naqueles psicólogos de jardins caríssimos em São Paulo, até que eu encontrei com a Helena Martins uma coisa que me satisfez pela primeira vez. Às vezes faço manutenção, mas foi efectivo.

07. Fez algum laboratório para interpretar o Tom?

Todo personagem, até os vilões, tem uma parte de você para ser sincero e verdadeiro. O Tom é um palhaço do amor, um desequilibrado... é como se eu colocasse uma lente de aumento em nós mesmos. Quem me ensinou pela primeira vez a trabalhar com a comédia foi o director Dennis Carvalho, em ‘Pátria Minha’. Mas tenho pouca oportunidade de fazer. Assisti muitos filmes do Tom Hanks, Jonh Cusack, entre outros. Reli todos os livros do Nick Hornby. Ele tem um humor ácido, sagaz, inglês, que me lembra muito o Tom.

08. Já recebeu algum convite para voltar para a TV Globo? Voltaria para a emissora?

Estou feliz na Record. Tenho contrato até 2010. Foi o primeiro contrato longo da minha vida. É bom porque posso projectar meu futuro. Tenho pela Globo um sentimento de gratidão. Foram as primeiras pessoas que acreditaram em mim. O meu primeiro salário foi de lá (em 1991, quando foi protagonista da novela ‘Salomé’). E assim que eu ganhei, chamei minha namorada, na época, para ir ao shopping e comprei um vestido para ela. Fiz três novelas na Globo. Se eu estou aqui é por causa disso. Depois de lá, trilhei meu caminho, fiz outras sete novelas e estou feliz agora por poder projectar meu futuro. Nunca digo que estou realizado porque sou muito crítico. Se eu disser isso é porque estou inerte. E inércia não me interessa, preciso estar em movimento.

09. Como foi o convite para fazer a peça Pequenos Crimes Conjugais?

Estava trabalhando no espetáculo ‘Acorda Brasil’ e esperando para entrar na novela ‘Cidadão Brasileiro’, quando a produtora me mostrou o texto – sem dizer quem seria o outro actor. Li na mesma noite e aceitei. Quando soube que a direção era do Márcio Aurélio, com quem já tinha trabalhado antes, e com a Maria Fernanda Cândido, com quem trabalhei na novela ‘Serras Azuis , não dava para fingir que não era com a gente (risos).

10. No palco, você tem uma presença forte, além de muito carisma. Como é dividir o palco com a Maria Fernanda?

A gente teve que se abrir, falar sobre os nossos desejos, o que achávamos, o que queríamos, então criamos uma intimidade grande. No palco, falamos no que acreditamos. Esse é o diferencial. Posso assinar embaixo sobre o que estou falando. Adoro dividir o palco com ela.

11. E o personagem da peça, o Gilberto, é bem diferente do Tom...

O Tom é um cara suburbano, grosseiro e cômico. Já o Gilberto, é um francês intelectual que levou uma paulada na cabeça. Quando vou para a peça, geralmente durmo no carro, mas é exercício gratificante essa troca de personagem. O teatro é o que alimenta a TV. Ajuda o actor trabalhar a emoção.

12. O que é um pequeno crime conjugal pra você?

É o que você é capaz de fazer com você mesmo, de se trair diariamente diante de um sentimento que se tem. O ser humano é capaz de matar o próprio amor.

13. Você começou a carreira no teatro, não é?

Também adoro fazer TV. Deito no chão do cenário e fico olhando aqueles milhares de reflectores, adoro estúdio, essa sensação de gravar uma cena nova. O teatro é o meu chão. Fiz aos dois anos de idade o menino Jesus, e não parei mais. Você sentir a respiração do público junto com a sua, ou fazer o público rir por causa do seu 'time', não tem preço. Sem contar que cada dia é um público diferente.

14. A peça já passou por São Paulo e está no Rio, vai excursionar pelo Brasil?

A peça fica duas semanas em cartaz no Rio. Vamos dar uma pausa porque estamos muito cansados. E em agosto vamos excursionar por algumas capitais do Brasil.

15. Está solteiro?

Neste momento sim. Estou apaixonado pela minha cachorra vira-lata, Sol. Ela está no meu apartamento, em São Paulo, e eu morro de saudade.

16. O Tom é desleixado, e seu personagem na peça usa Armani. E Você? É vaidoso?

Estou no meio termo. Me cuido um pouco por causa do personagem na novela, que faz cenas sem camisa. Não gosto de comer carboidrato à noite. Vou ao dermatologista porque minha pele é oleosa, mas minha vaidade é moderada. Gosto de usar jeans surrado com camiseta confortável. Sou fã de rock inglês: Beatles e Blur. Adoro usar terno de dia, mas pela vibe do rock inglês do que pela moda.

17. Você se acha bonito?

Acho que melhorei muito (risos). Acho que estou mais bonito e quando me olho no espelho, vejo que ali está meu amigo.

18. Você malha?

Comecei a malhar por causa do personagem na peça “O Professor”, porque eu tinha que ficar pelado na última cena e dizer: ‘gostou?’. Ensaiei de cueca até o ensaio geral. Fiquei tímido na primeira vez, mas era pudor meu. Mas não gosto de ficar musculoso.

19. Por causa das gravações da novela, você está morando no Rio. Onde mora?

Moro em São Paulo. Já morei no Rio, fui para São Paulo fazer teatro. Acabou que fiquei dez anos por lá emendando um trabalho no outro. Lá, fiz teatro com quem e como queria fazer. Tive muita sorte com relação a isso.

 

fonte: ego

publicado por . às 16:12
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